terça-feira, 9 de abril de 2013

Preparando para a Assembleia...


Assembleia do Shalom
Werbert Cirilo Gonçalves, outubro de 2013

Os shalonitas estão se preparando para viver a Segunda Assembleia do Movimento. Acreditamos que este momento de encontro é de capital importância para o Shalom. Sendo assim, será significativo apresentar mesmo que em poucos palavras qual deve ser o nosso espírito de participação numa Assembleia.

No Cristianismo, a palavra Assembleia é de um valor respeitável, uma vez que a própria palavra Igreja é a sua tradução. A palavra grega Ecclesia que comumente traduzimos por Igreja é melhor compreendida como: Assembleia dos convocados ou reunião dos fiéis. No entanto, é-nos claro que não se trata de uma reunião de um grupo qualquer. Assembleia no seu sentido mais genuino dentro da Tradição Cristã se refere à reunião dos fiéis em Cristo. Ou seja, quem possibilita e faz o encontro acontecer é o próprio Cristo que nos chama (vocação) e vem estar conosco, erguendo sua Tenda do Encontro entre os homens. Por isso, em nossa Assembleia o Cristo haverá de erguer sua habitação entre nós; não do nosso lado direito nem do lado esquerdo, mas no centro: em nosso coração.

Assembleias e Encontros no seio da Igreja são frequentes e de extrema importância para a sua existência. Assim, acompanhamos ao longo da história da Igreja: Concílios, Sínodos e tantos outras reuniões que favoreceram e promoveram a unidade, a santidade, a universalidade, a apostolicidade e a identidade do Catoliscismo. No período apostólico temos o Concílio[1] de Jerusalém (Reunião  de Jerusalém em At 15) que marcou profundamente o início do Cristianismo. Outros Concílios como o de Niceia ou de Constantinopla defenderam e definiram a profissão de fé da Igreja frente as problemáticas teorias de grupos heréticos. Um Concílio é sempre um marco na Igreja. Por exemplo, o acontecimento mais marcante para a Igreja na atualidade foi o Concílio Vaticano II (1965) que ressignificou a história e a caminhada Católica na segunda metáde do século XX. A nossa Assembleia não é um Concílio, porém nosso encontro almeja criar a unidade, que é a pertença a um grupo em comunhão de amor; promover a santidade, que é o seguimento e fidelidade ao projeto de Deus de contrução do Reino; descobrir na diversidade das pessoas: a riqueza de seu mundo cultural, da sua fé e da universalidade da paz shalonita; obedecer (ouvir) à Palavra Sagrada que nos oferta um ensinamento e nos leva a um autêntico testemunho; e acima de tudo, viver o encontro (reencontro) que nos une no amor a Deus e cria a identidade e a comunhão entre os irmãos.

Se a nossa Assembleia não é um Concílio como vimos, ousamos dizer que ela deverá ser um sínodo. Não um Sínodo dos Bispos, mas no seu sentido original: um peregrinar unidos por um mesmo sentido. A palavra de origem grega Sínodos (sin – junto; hodos – Caminho) significa caminhar juntos. Acreditamos que nossa Assembleia do shalom é a expressão concreta de uma disposição interior para caminharmos juntos enquanto shalonitas proferindo a mesma linguagem que se efetiva pelos sinais do amor e, além disso, dispor-nos a caminhar com a Igreja local a fim de construirmos a comunhão entre o Povo de Deus: Comunidade de Fé.

Quanto é importante uma Assembleia no interior do Movimento Shalom. Esta Assembleia não quer encontrar soluções para querelas teológicas tampouco determinar regras de conduta do grupo. Esta Assembleia quer nos reunir e apontar novos rumos na jornada que peregrinamos. Sendo assim, com a eleição do novo secretariado se faz uma ousada renovação com medo e coragem. Medo diante dos desafios e das responsabilidades, e com coragem, uma vez que temos do nosso lado o Espírito Santo que conduz a Igreja e consequentemente anima (dá vida) cada shalonita em busca da realização pessoal e comunitária. Esse Espírito nos revela o Cristo presente em nossa caminhada e em cada canto do coração shalonita, embrenhando de amor a nossa vida e atuante na nossa história.

Sabemos que uma pessoa sozinha, não é Igreja. Sim, a Igreja é uma Assembleia. Um cristão, em si mesmo, só poderá ser afirmado Igreja enquanto pertencente a um grupo, daí eu formo Igreja com meus irmãos: um corpo místico em que o Cristo é a cabeça que direciona e nos conduz pelo caminho do mundo iluminado pelo Espírito rumo ao encontro com o Pai. Portanto, eu sou Igreja à medida em que convivo com meu próximo rumo à Patria Celeste. Assim, Deus está conosco em nossa reunião: “- Quando dois ou mais estiverem reunidos em meu nome eu estarei com eles”!

Por fim, essa Assembleia já está acontecendo em nós. E todos os sahlonitas devem tomar parte em seu lugar a fim de que este encontro tenha a participação de todos na reconstrução de um Movimento em comunhão com a Igreja local e de uns com os outros.

Foi o Espírito Divino que nos motivou esta reunião em Assembleia e que nos encoraja a caminhar sempre descobrindo a delicada presença de Deus sempre presente. Nós somos a expressão da paz no mundo. Uma paz que não se faz em palavras nem mesmo em ações isoladas. Nós somos juntos a manifesta paz divina no mundo quando nossas ações e palavras se unem em perfeita harmonia à voz do Cristo ressuscitado que oferece a sua paz a todos: “- A paz esteja convosco”!

Que a nossa Assembleia fortaleça cada vez mais a nossa eterna amizade e nos faça conscientes da nossa fraternidade divina!

Um abraço-shalonita a todos!



[1] Concílio do latim Concilium que significa reunião. Assim, temos: CUM – com mais CIEO – mover = mover-se para estar junto, ato de ir ao encontro, encontrar-se, reunir-se formando uma Assembleia.

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